Rejeitado pela classe, Thiago Diaz usa “laranjal” pra eleger Kaio Saraiva

A eleição de 2021 da OAB/MA teve como marcas duas curiosidades: a rejeição da maioria da advocacia à atual gestão da Ordem e a utilização de candidaturas laranjas pra “desviar” o falho processo eleitoral.

Candidato “oficial” da situação, Kaio Saraiva teve apenas 44,10%, dos votos possíveis. 41.79% votaram em Diego Sá, enquanto 5.49% votaram em Misael Rocha Júnior e 4.56% apostaram em Gustavo Carvalho.

Na teoria, a oposição teria bem mais votos que a situação. Só o que o sistema eleitoral da OAB não prevê a hipótese de segundo turno. Então, com uma oposição dividida, vence o candidato da máquina administrativa. É o que ocorreu em toda a história da OAB/MA, em que mais de duas chapas nunca elegeu a oposição.

Sabedor disso, Thiago Diaz costurou duas candidaturas para se beneficiar desse falha: o advogado criminalista Aldenor Rebouças e o advogado Misael Rocha, pupilo de Thiago na primeira gestão dele em 2016, mas que rompeu brevemente nas eleições de 2018 por causa da atividade político-partidária de Misael (era membro do governo federal de Michel Temer).

Aldenor já tinha tentado ser candidato em 2018 mas, pela figura folclórica que é, já se sabia que não formaria chapa nem naquele ano nem em 2021. Nos dois pleitos se apresentou como “oposição” mas, no fim, sempre declarou voto à chapa de Thiago, inclusive participando da festa da vitória.

O trunfo de Thiago Diaz foi utilizar a boa fé da jovem advocacia que viu em Misael um possível representante seu.

O que os jovens advogados não sabiam é que desde o início foi tudo costurado, inclusive com promessas de cargos importantes na próxima eleição. Exemplo disso foi o repentino gasto excessivo com empresas de marketing da campanha de Misael, que alegava ser uma campanha humilde.

Os advogados mais experientes perceberam a estratégia e rejeitaram Misael, que teve apenas míseros 5% dos votos totais, quase 4000 votos a menos que Diego, basicamente com votos de membros da chapa (84 nomes) e seus amigos e familiares.

Mas esses 5% foram suficientes para fazer a diferença em um pleito que foi decidido por 2,7% dos votos válidos. Sem a candidatura de Misael, ou com segundo turno, haveria uma vitória da oposição contra a máquina.

Muitos advogados só perceberam a estratégia após a eleição. Mas já era tarde demais, tanto pra reverter o resultado, como para recuperar a credibilidade do jovem Misael.